A Polícia
Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que vê indícios de
pagamento de R$ 340 mil mensais ao presidente Michel Temer, no fim da década de
90, por parte de empresas da área portuária, entre elas a Rodrimar, cujos
dirigentes são investigados junto com o presidente em inquérito que apura se houve edição
de decretoem 2017 para beneficiar empresas em troca de propina.
A informação consta no pedido de 69 páginas da PF, do
dia 15 de março, para a Operação Skala, com
buscas e depoimentos sobre o caso. O documento ainda está sob sigilo, mas foi
obtido pelo blog. A operação foi deflagrada em 29 de março último, com prisões de dois amigos de Temer para
prestar esclarecimentos e apreensões de materiais nos endereços dele e das
empresas portuárias.
O delegado Cleyber Malta Lopes cita, no documento, uma
planilha que integrava o inquérito 3105, que foi arquivado em 2011 pelo
ministro Marco Aurélio Mello. Essa tabela relacionava pagamentos a
"MT", que seria Michel Temer, a "MA", que seria Marcelo
Azeredo, indicado por Temer para comandar a Companhia Docas do Estado de São
Paulo (Codesp) – estatal que administra o Porto de Santos, e a "L",
que seria Lima, o coronel aposentado da Polícia Militar João Batista de Lima
Filho, amigo de Temer e sócio da Argeplan.
Em nota, o Palácio do Planalto diz que a investigação da
PF "entrou no terreno da ficção policial" e que "a planilha já
foi renegada pela pessoa que acabou, involuntariamente, anexando esse
papel" (leia a íntegra da nota ao final
desta publicação).
Lopes destaca que "a planilha em questão surpreende
pelo nível de detalhamento e divisão dos supostos valores pagos em propina
mensal , já naquela época, em 1998, em contratos de arrendamento que variavam
de 10 a 20 anos".
Afirmou que a planilha indica
que "MT" recebia 50% dos valores referentes aos contratos e que
"MA" e "L" tinham 25% cada. A tabela foi entregue à Justiça
pela ex-mulher de Azeredo, que estava em processo de divisão de bens e queria
comprovar que o marido tinha outras rendas.
Em um item específico,
"parcerias realizadas", há indicação de repasse da Rodrimar de R$ 300
mil a Temer e R$ 150 mil para cada um dos outros – Azeredo e Lima. Há
informação de adicional de R$ 200 mil para campanha. Outro repasse da JSL seria
de R$ 26 mil por mês a Temer e R$ 13 mil aos outros. Além de valores de outras
empresas, como a Multicargo.
"Fazendo uma ligação com
as informações trazidas, na planilha acima, na qual denota possível pagamento
também pela Rodrimar de vantagem indevida para MT (possivelmente Michel Temer),
em 1998, na ordem de R$ 340 mensais e ainda adicional de R$ 200 mil,
textualmente indicado como sendo para campanha, não é difícil supor que tal
relação promíscua entre empresários e agentes políticos se perpetue até os dias
atuais", disse o delegado.
Segundo ele, as informações
encontradas no inquérito arquivado pelo STF em 2011 "são
importantíssimas" para a compreensão do caso atual.
"Uma vez que guardam
estreita relação de personagens e empresas envolvidas, sendo possível supor que
tais esquemas investigados e materializados ainda hoje tenham se estabelecido
naquela ocasião, entre 1995 e 2000, quando o então deputado federal pelo estado
de São Paulo, líder da bancada, Michel Temer, fez as primeiras indicações para
o comando da Codesp, conforme reconhecido pelo senhor presidente, durante
respostas à Polícia Federal", argumenta o delegado.
Em outro relatório
específico, a PF volta a detalhar a planilha e apresenta siglas que
representariam nomes de outras pessoas vinculadas a Temer. Em projeto sobre
terminal de caminhões, um contrato de 40 anos, aparece o nome Beto.
"A hipótese seria que
Beto seria referência a Beto Mansur, ex-prefeito de Santos, que supostamente
também atuou nas indicações para a Codesp, defenfia o interesse de empresas do
setor portuário durante a Patmos e faz parte do grupo político de Michel
Temer", diz documento assinado pelo agente Paulo Marciano Cardoso em 8 de
março.
A planilha que indica
repasses poderá ser questionada uma vez que integrou inquérito já arquivado no
STF e que foi autorizado a correr na primeira instância. Além disso, Temer,
como presidente da República, pode ser investigado por fatos anteriores ao
mandato, mas não pode ser denunciado por isso enquanto estiver na função.
A PF analisa até o começo de
julho todo o material coletado na Operação Skala para preparar relatório a
respeito da investigação – o material será importante para a Procuradoria-Geral
da República (PGR) definir se denuncia ou não Temer no caso dos portos.
Nota
Leia a íntegra da nota
divulgada pelo Palácio do Planalto:
Nota à imprensa
A investigação da Polícia Federal sobre
o suposto benefício do presidente Michel Temer ao grupo empresarial Rodrimar
entrou no terreno da ficção policial. Isso porque, na verdade, o decreto dos
portos não trouxe nada em favor da empresa. Sem fatos novos ou provas, delegado
tenta reabrir investigação já arquivada duas vezes pela Justiça por falta de
provas.
Usa agora planilha encontrada nesses
arquivos. E com base neste documento produz um fantasioso cenário de
reconstrução arqueológica, mas está alimentando apenas uma imensa farsa.
Tal planilha já foi renegada pela
pessoa que acabou, involuntariamente, anexando esse papel, sem origem e sem
autor, a processo de separação.
“Para não deixar dúvida em relação ao
histórico contido na peça inicial daquela ação, a qual eu não subscrevi,
esclareço que os documentos mencionados nela não foram tirados do computador
pessoal de meu ex- namorado, o senhor Marcelo Azeredo, mas sim chegaram-me às
mãos anonimamente, em envelope fechado, sem identificação do remetente.
Entreguei os tais documentos aos meus ex-advogados para simples análise e não
para serem utilizados, já que não tinha certeza nenhuma da verdade do seu
conteúdo e da sua origem”, escreveu Érika Santos em 2001, em documento
oficialmente anexado ao inquérito.
Passados 17 anos, ela concedeu
entrevista à revista Veja. E disse o seguinte: “Veja - Depois de entregar a
planilha à Justiça, a senhora acabou fazendo um acordo extrajudicial com seu
ex-marido e desistiu do processo. Quais foram os termos do acordo?
ES - Não fui eu que entreguei aquela
planilha.
Veja - Os seus advogados daquela época
disseram que foi a senhora que entregou a planilha...
ES - Imagina, eu não estava no Brasil.
Eu estava em Los Angeles. Esse advogado entregou esse material sem a minha
assinatura. Por isso é que, depois, retirei a ação. Eu não sei onde ele arrumou
aqueles documentos. Alguém deve ter pago a ele. Não fui eu. Ele que montou um
monte de documentos. Ele fez uma ação para me incriminar. Só me prejudicou”.
Nada mais precisa ser dito sobre esse
escândalo digno do Projac, a maior fábrica de ficções do país.
Secretaria Especial de Comunicação
Social da Presidência da República
Fonte: Matéria extraída na integra de:
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