A Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes decidiu cercar a casa do governador por segurança
O governador de São Paulo, João Doria, recebeu ameaças de morte nesta quinta-feira. Ele também recebeu mensagens dizendo que a sua casa seria invadida, nas redes sociais e em seu celular.
Doria fez um boletim de ocorrência e a Polícia Civil vai abrir uma investigação. A Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes decidiu cercar a casa do governador durante a noite. As informações foram divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Segundo a coluna, a equipe do governador informou ter indícios de que as ameaças partem de um movimento bolsonarista e suspeita de uma articulação do chamado gabinete do ódio, liderado pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro.
Os ataques teriam sido iniciados devido a liderança que Doria estaria mostrando no combate ao coronavírus. Na última quarta-feira, Bolsonaro e Doria bateram boca em videoconferência que reuniu o presidente e os governadores do Sudeste. No Twitter, robôs impulsionaram campanhas de apoio a Bolsonaro e pelo impeachment de Doria, nos últimos dois dias.
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por Luiz Carlos Bolzan
PRENÚNCIO DE CATÁSTROFE
PRENÚNCIO DE CATÁSTROFE

“O Mito do Século XX’’ é o título do livro do ideólogo nazista Alfred Rosenberg.
Para ele, mito significava a postura da defesa do ideário da supremacia racial branca, ariana, sobre demais povos, aliado ao nacionalismo, expresso na forma de manifestações patrióticas.
Anos depois, esse ideário foi reconfigurado pelo também nazista Richard Walter Darré na tese “sangue e solo”.
Para levar a cabo ideário racista, o III Reich dispôs de mecanismos diversos de extermínio.
Um deles foi a operação T4 que assassinava pessoas com sofrimento psíquico, más formações ou patologias de qualquer natureza que pudessem significar, para ideário nazista, imperfeição, e nesse sentido, para o nazismo, um fardo social e econômico para a nação.
Eram exterminadas como “vidas indignas de serem vividas”.
O extremo absoluto dessa prática foi o extermínio de milhões de pessoas nos campos de concentração e extermínio.
Foram mortas pelo trabalho escravo altamente lucrativo para empresas associadas ao governo nazista, por fome, doenças, agressões sistemáticas e, claro, por assassinato em massa a tiros e, depois, com maior abrangência e menor custo, nas câmaras de gás.
O mito racial nacionalista do século XX foi buscado a todo custo pela prática genocida nazista.
A palavra genocídio foi cunhada por Raphael Lemkin após segunda guerra mundial, para significar o holocausto judeu praticado pelo nazismo.
Genocídio pode ser praticado de forma ostensiva, por ataque explícito, como feito pelo regime hitlerista.
Ou pode ser efetivado por falta de ações necessárias ao combate de ameaça não humana, mas potencialmente mortal, como, por exemplo, uma pandemia viral.
Na noite dessa terça feira, 24/03, o presidente Jair Bolsonaro escandalizou, novamente, a população brasileira e mundial.
Em pronunciamento nacional, ele reafirmou desdém pela gravidade extrema da pandemia do Covid-19, que até o momento já matou 25 mil pessoas no mundo, referindo-se à mesma como “gripezinha” ou “resfriadinho”.
Mais do que isso, atacou autoridades estaduais e municipais pelas medidas adotadas e, outra vez, a imprensa por criar, segundo ele, clima de histeria.
Bolsonaro defendeu que idosos são o grupo de risco e que escolas devem ser reabertas.
Disse, como boneco de ventríloquo do trumpismo, que a economia não pode ser prejudicada pelas ações politiqueiras de governadores e prefeitos, defendendo a retomada da vida econômica imediata.
Bolsonaro, a exemplo de líderes ensandecidos que se autoproclamam ungidos pela providência divina, desdenhou do conhecimento científico, contrariou a Organização Mundial da Saúde (OMS), o seu próprio Ministério da Saúde e todas as entidades médicas do país e do mundo que defendem o isolamento social para conter a circulação do vírus e preservar vidas irrecuperáveis.
Pesquisa realizada por pesquisadores italianos na pequena cidade italiana de Vo”Euganeo, na região do Vêneto, demonstrou que entre 50% e 60% dos infectados com o novo coronavírus são assintomáticos, fazendo com que a circulação do vírus seja muito maior do se imaginava.
Diante de tal fato, a testagem massiva se torna uma necessidade para poder rastrear o virus e impedir seu alastramento com o isolamento social e quarentena para os infectados.
O governo brasileiro optou por não realização de testes em massa, fazendo até agora, teste apenas em pessoas internadas em estado grave, que tiveram contato com pessoas infectadas ou que vieram de países onde havia ampla circulação do vírus.
Adotou, portanto, a mesma postura de países que hoje enfrentam situação absolutamente trágica quanto ao número de casos e mortes.
Diferentemente, Alemanha e Coréia do Sul fizeram testes em grande escala, permitindo maior capacidade diagnóstica, portanto melhor capacidade prognóstica. Estão entre os países, até aqui, com melhores resultados no enfrentamento ao novo coronavírus.
Nessa quarta-feira (25/03), em entrevista coletiva, o Ministério da Saúde anunciou que fará 22 milhões de testes, quantidade ainda insuficiente, porém maior do que a antes divulgada.
Mudou de postura, porém tardiamente, já que a circulação do vírus no território nacional é ampla. E como há subnotificação e subdiagnóstico dos casos no Brasil, é possível que a situação seja muito mais grave do que sugerem os números oficiais.
Enquanto escrevo este texto, os Estados Unidos ultrapassam a China em número de casos confirmados. Os primeiros têm 83.206 , enquanto a China, 81.285.
Os Estados Unidos apresentam curva crescente de mortes, agora com elevação agressiva.
O foco da pandemia já não está mais na Europa, mas nos Estados Unidos.
A perspectiva é de que em cinco dias a pandemia nos EUA seja a maior e mais grave no planeta. E, em 15 dias, talvez a maior hecatombe sanitária desse século, dada a postura do presidente estadunidense.
O Brasil está em estágio ainda anterior aos Estados Unidos , mas subindo em seu potencial para se tornar um dos maiores focos de contágio do novo coronavírus no mundo.
Nesse contexto, o pronunciamento de Bolsonaro surge como prenúncio de catástrofe.
Segue em direção oposta a todas as medidas preconizadas para contenção da circulação do vírus, e,portanto da pandemia, criando facilidades para um desastre sanitário de proporções inimagináveis.
Bolsonaro agiu como possível propagador do Covid-19 de várias formas. Por exemplo:
* Ao sair às ruas e tocar várias pessoas no dia 15 de março.
* Ocultando seus exames.
* Por meio de medida provisória, tentando acabar com a Lei de Acesso à Informação.
*Relativizando de forma diversionista negacionista o imensurável risco que corre população brasileira.
Como duas faces da mesma moeda, neoliberalismo e ideário genocida neonazista são reforçados em manifestações presidenciais nos Estados Unidos e no Brasil.
Diferente do que pretendeu Von Mises ao reduzir o Homem a consumo e do supremacismo racial defendido pelo darwinismo social do ideário nazista, as vidas, todas elas, são muitos superiores à liberdade de capitais e mais importante que esta.
Vidas fortes e saudáveis fazem economia pujante, includente, equilibrada e sustentável.
Sem direito à vida digna para todos, apenas os “superiores” terão direito ao gozo material.
A sociopatia genocida que sustenta o “Mito”ultrapassou todos os limites ao estimular o restrito e ineficaz modo de produção capitalista à segurança sanitária coletiva, além de ameaçar com golpe para imposição de ideário genocida.
Como duas forças diamentralmente opostas, a velocidade da queda do governo bolsonarista aumentará à medida que velocidade do crescimento da pandemia aumentar.
Já não é mais uma questão de querer. As instituições brasileiras que não funcionam serão substituídas em suas funções pela propagação do vírus e sua alta morbimortalidade.
Bolsonaro cairá, menos pela força dos homens e suas instituições, mais pela ação deletéria da pandemia que ele mesmo instiga.


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