sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Prefeitura de São Paulo quer 3.500 casas para liberar megatemplo


Um mês e meio após a festa de inauguração, a Prefeitura de São Paulo quer exigir da Igreja Universal a construção de 3.500 moradias populares para regularizar o Templo de Salomão, erguido no Brás, centro da cidade.
O maior espaço religioso do país, com 100 mil m² de área construída, teve as portas abertas com o respaldo de um alvará provisório emitido pela gestão de Fernando Haddad (PT) em 19 de julho - 13 dias antes da abertura.
A nova contrapartida foi sugerida pela Secretaria de Licenciamento em documento já enviado ao Ministério Público Estadual, que investiga a construção do templo desde fevereiro.
No inquérito instaurado pelo promotor de Justiça Maurício Antonio Ribeiro Lopes são apuradas algumas supostas irregularidades, como o fato de a Igreja ter sido construída com base em um alvará de reforma.
A exigência aventada pela prefeitura, no entanto, diz respeito a outra regra que teria sido burlada pela Universal. O zoneamento onde está o templo foi definido pelo Plano Diretor de 2004 como Zona Especial de Interesse Social (Zeis). Por isso, a área deveria ser reservada à construção de moradias populares, o que não ocorreu.
Com o templo erguido, os vereadores regularizaram o espaço durante a votação do novo Plano Diretor. Em 30 de junho deste ano, ficou definido que a área não mais seria classificada como Zeis, em uma tentativa de anistiar a Universal. Os parlamentares da base aliada do governo na época justificaram que não fazia mais sentido manter o zoneamento porque a obra já estava pronta.
A decisão ainda atendeu à pressão de um dos principais grupos do Legislativo Municipal: a bancada evangélica, hoje com dez representantes. São vereadores eleitos com o apoio de fiéis da Igreja Mundial, da Igreja da Graça, da Bola de Neve e da Assembleia de Deus, além da própria Universal.
Durante a negociação, todos os vereadores receberam convites para a inauguração, que ocorreu em 31 de julho com a presença da presidente Dilma Rousseff (PT).
Contrapartida
Acionada pela Promotoria de Habitação e Urbanismo, a prefeitura agora quer assegurar que o Templo de Salomão oferecerá as contrapartidas sociais que deveriam ter sido cobradas em agosto de 2008, quando a igreja protocolou o pedido oficial de construção.
Pelas regras do Plano Diretor em vigor durante toda a obra, a Igreja deveria construir conjuntos de habitação social para ao menos 400 famílias, se quisesse obter autorização para atuar em área de Zeis. A condição, no entanto, não foi cumprida e, mesmo sem erguer nem sequer uma moradia, a obra do Templo de Salomão foi autorizada em 22 de outubro de 2008. O Ministério Público Estadual investiga se houve irregularidade na emissão das licenças e na construção.
MP quer acordo
O promotor Maurício Ribeiro Lopes se reuniu na segunda-feira com representantes da Igreja Universal, na tentativa de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo é restabelecer parte das contrapartidas não exigidas durante o processo de obra, além de amenizar os impactos no trânsito local. Procurado, Lopes não quis revelar o teor das propostas apresentadas à igreja. Já a Universal afirmou, por meio de nota oficial, que só vai se manifestar sobre a proposta apresentada pelo Ministério Público Estadual no momento oportuno. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Em São Paulo
Templo de Salomão em números
  • 35 mil metros quadrados de terreno
    equivalente a 5 campos de futebol e a 1/4 do Parque da Independência (SP)
  •  
  • 100 mil metros quadrados de obra
    cerca de 1/4 do maior shopping do país e do tamanho aproximado do Maracanã
  •  
  • 11
    pavimentos
  •  
  • 4
    anos para concluir a construção
  •  
  • 2.000 toneladas
    de aço utilizadas na obra
  •  
  • 145 mil
    sacos de cimentos usados para a construção
  •  
  • 54 metros de altura
    maior do que o Cristo Redentor (RJ)
  •  
  • 40 mil metros quadrados
    de pedras usadas na construção e decoração vieram de Hebron, em Israel
  •  
  • 10 mil
    lâmpadas de LED no salão principal
  •  
  • 42
    altofalantes instalados no teto do salão principal
  •  
  • 12
    oliveiras importadas do Uruguai, para a reprodução do Monte das Oliveiras
  •  
  • 60
    apartamentos disponíveis para pastores;um deles para o bispo Edir Macedo
  •  
  • 2.000 vagas de estacionamento
    cerca de 1/3 das vagas do estacionamento de um grande shopping
  •  
  • 10 mil pessoas sentadas
    cerca de 1/5 da capacidade da Arena Corinthians na configuração após a Copa
  •  
  • R$ 680 milhões
    6 vezes o valor de um hospital e 378 vezes o valor de uma escola infantil
  •  
  •  
  • R$ 2, 4 millhões
    de impostos pagos para a importação de pedras, após isenção ser negada
  •  
  • R$ 0 valor do IPTU/ano, que não será pago por tratar-se de instituição religiosa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja prudente em seus comentários, agradeço sua visita.