terça-feira, 3 de janeiro de 2012

KARAPANATUBA RECEBE VISITA PARA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO CIDADÃO

Deu inicio na aldeia indígena Karapanatuba, os trabalhos de cadastro das famílias que irão ser contempladas com o projeto Minha Casa Minha Vida Rural do programa PAC 2 do governo Federal em parceria com a Caixa Econômica Federal. Esteve nos dias 20 e 21 de dezembro a equipe da Secretaria Municipal de Assuntos Indígena para realizar os procedimentos de cadastros. Esse projeto trará para o povo Munduruku dignidade e compromisso do governo de Raulien Queiroz do PT em levar as políticas publicas até a comunidade indígena. Esse fato só é possível devido à prefeitura de Jacareacanga está em dias com suas contas e fazer gestão junto ao governo federal. O secretário Ivânio Alencar, reuniu lideranças e comunitários, para explicar a importância do projeto que contemplará 50 famílias com uma casa para cada. Após os cadastros feitos, e a escolha da comissão de representantes para fiscalizar os trabalhos da construção da obra, e seguindo um rígido critério da Caixa Econômica na seleção das famílias, será concluído o projeto das casas e assinado o convênio entre CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e PREFEITURA MUNICIPAL DE JACAREACANGA, esse projeto contemplará 450 famílias inicialmente, e será construído nas aldeias PÓLO num total de 50 casas em cada uma delas totalmente de graça para cada mutuário, a prefeitura irá cobrir o valor que cada mutuário pagaria que seria de  R$ 1.000,00 (MIL REAIS). Para o prefeito Raulien Queiroz, esse empreendimento trará melhorias em todos os aspectos, dignidade, respeito e compromisso, principalmente com saúde dessa gente. Já para o secretário Ivânio, é a certeza de garantir para esse povo o mínimo de uma vida descente respeitando as tradições.  Já para o Tuxaua Abraão Akay Munduruku, trará para seu povo a valorização e o respeito do poder publico por sua gente disse ele. O projeto que tem o nome de “Projeto CIDADÃO” em sua totalidade será MIL CASAS, onde serão distribuídas nas demais aldeias que  concentram um maior numero de famílias.  As duas aldeias escolhidas inicialmente para realizar esse projeto foram KARAPANATUBA e MISSÃO CURURU.  As casas serão todas em madeira de Lei, com piso em cimento, com dois quartos, uma varanda e uma cozinha, a casa será coberta com telha ecológica, e terá 36 metros quadrados, o projeto contará também com  um (1) banheiro coletivo com vasos, chuveiros e pias, para cada dez (10) casas. A segunda etapa de cadastro iniciará no dia 5 no mês de janeiro a equipe irá se deslocar até a aldeia MISSÃO CURURU, para iniciar os trabalhos de cadastros das famílias.
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Matéria exibida no Blog Rastilho de Pólvora em 22 de julho de 2010

IVÂNIO ALENCAR REFORÇA IDEAL INDIGENISTA DE LUTA NO ALTO TAPAJÓS

Ivanio de Alencar Nogueira, 40 anos, casado com a senhora Élida Felipe Nogueira, pai de três filhos, é a terceira vez que atua funcionalmente nesta região do Tapajós, e faz questão de dizer, que sempre à convite. A primeira vez veio para Itaituba em 1990 e por um período legislativo trabalhou como assessor parlamentar no Poder Legislativo de Itaituba, e concomitantemente com essa assessoria fez incursões na Radio Itaituba como locutor de programas de interação com os adolescentes e adultos, e já somam em mais de duas décadas intermitentemente atuando nesse oficio de comunicação.

Em seguida no inicio de 1.994 surgiu o momento para trabalhar como indigenista em um Posto Indígena, onde destacou-se por relevantes serviços em defesa do grupo tribal Munduruku. Por certo tempo acometido de seguidas malárias, deixou a Funai e rumou para sua cidade natal Itacoatiara no vizinho estado do Amazonas. Sua volta para o Amazonas demorou pouco tempo pois a luta dos indígenas por seu território demarcado precisava de pessoas engajada nessa missão, e pela segunda vez à pedido dos indígenas a Funai contratara seus serviços que por mais 4 anos seguidos lutando ombreado com outros funcionários da FUNAI, e tendo conseguido alcançar o sonho da Terra Munduruku ser demarcada, uma vez mais despediu-se dos índios e rumou para sua terra. Diante do seu retorno voltou ao radio e enveredou pela atividade de evangelização onde constituiu-se por seu apego à atividade de propagar as “boas novas” esforçada pessoa e um Pastor Evangélico.
Para os Munduruku restou a saudade do esforçado indigenista e dedicado cidadão em defesa dos direitos indígenas, e para surpresa dos familiares de Ivanio, mais uma vez fora chamado para ajudar no desenvolvimento do trabalho administrativo indigenista, para assumir a Administração Regional da Funai já que se encontrava em situação caótica devido situação de falta de identificação desse trabalho com a causa indígena. Como Brasilia já teria nomeado outra pessoa, ficou por breve tempo assessorando a Associação Indigena Pusuru, para pouco tempo depois ser convidado pelo Poder Executivo à assumir aSecretaria Municipal de Assuntos Indígenas, onde desenvolve sua atual atenção deixando de lado momentaneamente o sistema de radio-difusão por não ter nesta região, e seu oficio de Pastor Evangélico.

 Em três ocasiões o RP (Rastilho de Pólvora) tentou conversar e fazer uma entrevista com o Secretário Ivanio, mas sempre éramos interrompidos ou por um índio para a resolução de problemas, ou por algum membro de sua equipe coletando informações, ou até atendendo chamados onde era requisitada sua presença. A coisa só aconteceu porque levei Ivanio para minha casa e em meio ao almoço (O cara come muiiiiito) conversamos bastante. Acompanhe a entrevista:

RP – Ivanio, de grande trabalhador da causa indígena que a FUNAI contou por alguns anos, voce passou por locução de programas evangélicos no Amazonas, depois para Pastor propriamente dito, e agora para Secretário de Assuntos Indígenas, explica isso, explica essa mutação funcional

Ivanio - As coisas acontecem da forma como Deus define. Veja você. Trabalhei em duas ocasiões com o s Mundurku  totalizando esse tempo em seis anos. Falo para todos no Amazonas, que o Pará é um estado que admiro e que acolhe e recebe bem as pessoas. Sou Cristão professo minha fé em Deus em Igreja pentecostal e em certa ocasião em meio a um culto, um experimentado Pastor sendo envolvido pelo Espírito Santo de Deus se dirigiu até a mim e em tom profético disse-me que eu sairia do meio de minha parentela e iria tomar assento em meio a grandes decisões de um povo necessitado, e que se fosse entendido meu trabalho, profícuos e duradouros progressos faria em defesa desse povo. Pouco tempo depois em meio ao café da manha à mesa com minha família recebi um insistente telefonema e curioso que era de Jacareacanga, desse telefonema que me convidava para assumir a Funai, que ao final não deu certo por questões meramente politicas, estou de volta à  Jacareacanga, trabalhando com um povo que tenho profunda afeição e com a tendência de fazer um bom trabalho.
RP – Qual são suas atribuições na Pasta da Secretaria de Assuntos Indígenas?

Ivanio a principio é criar mecanismos que visem fomentar a subsistência desse povo, garantindo para o indígena o direito de ter uma vida melhor. Agora essa luta é árdua, duradoura e necessita de vários entes para essa batalha. Necessitamos da Funai, Funasa ONG’s que atuam na causa e ainda dos próprios indios para essa batalha. É impossível somente a Prefeitura atuar nessa questão.

RP – Já existe uma linha de ação para planejamento desse caminho para se conseguir vitorias na criação desses mecanismos?

Ivanio – Com certeza. Nosso ideal é buscarmos parcerias que visem fortalecer a economia e vida dos indígenas com projetos que beneficiem a coletividade mas que sejam de domínio cultural dos mesmos. Entre esses projetos podemos destacar: Projeto FarinhaJá há por parte da Secretaria de Agricultura através do Secretário Roberto Strapasson uma preocupação para isso e já capacitou denezas de indígenas do Kabitutu para a confecção de uma farinha de qualidade para praticarem o comercio e isso será evidente que produzirá renda no seio da coletividade. Temos já em fase de execução em parceria com Strapasson a criação para breves dias da Feira da Agricultura Familiar de Jacareacanga, visando fazer o produtor ou seja os índios e ribeirinhos expor e vender seus produtos de roça. Se arrumarmos parcerias temos ainda muito o que avançar em apoio aos índios, como os projetosCanoa - Minha Estrada é o Rio, Projeto João de Barro que visa a fabricação de tijolos para fomentar renda e emprego, onde abrigaria como mão de obra estratégia para aproveitar e beneficiar varias famílias, Projeto Cidadão Tecendo o Saber, mais direcionados aos idosos para a confecção de malhadeiras, tarafas e redes para a captura do pescado evitando assim a disseminação de um agente de contaminação mas que é cultural que trata-se do timbó, e ainda temos projetos que visam o fortalecimento da riqueza cultural indigena. Como disse o município somente, é ineficiente para alavancar todos esses projetos, precisamos portanto de parceiros.
RP – Qual a expectativa dessas ações darem certo?

Ivanio – Somente para um ente, a coisa não deslancha, mas havendo parcerias é viável e mais fácil alcançarmos êxito. É fato que o Governo Raulien Queirózalmeja esse êxito e para isso dentro de suas possibilidades dá-nos o apoio. Mas como disse é preciso que a Funai, e outros parceiros mostrem a cara. Veja bem, hoje em Jacareacanga em sua parte periférica estão se amontoando pessoas e formando bolsões de pobreza, é a miséria rondando nosso povo. Acabou-se a corrida de ouro na região; nada é produzido de renda e emprego, só existe a Prefeitura para combater essas mazelas, e então o que fazer? Darmos as mãos e irmos à luta. Falo sempre que a parceria é o caminho para o sucesso e reverter esse quadro de carência não só dos índios como da população residente na sede do município deve ser uma luta coletiva.

RP – Qual o publico alvo a ser alcançado?

Ivanio - Em resumo, TODOS! todos os indigenas formam o publico-alvo. Primeiro temos que ter receita, participação dos parceiros e depois elegeremos as prioridades e nossas ações fluirão com trabalho e dedicação. Nossa Secretaria será o norteador das ações e abrigará com muita atenção a parcela desprendida pelos parceiros. Se os parceiros quiserem liderar esse movimento de alavancarmos progressos aos Munduruku, seremos mais um elo e La estaremos.

RP – Quantos núcleos humanos compõe a Terra Indígena?

Ivanio – Os aldeamentos crescem à medida que cresce o povo indigena. Hoje nossa atenção se desperta para a Terra indígena em mais de 110 aldeamentos distribuídos em mais de dois milhões de hectares, então veja bem a superfície que nossa atenção pode chegar é maior que muitos países. As dificuldades para transitarmos nessas aldeias são imensas, corredeiras, cachoeiras, distancias são adversidades que temos que vencer. Só para se citar um exemplo da grande distancia que temos que percorrer para a Secretaria de Educação  levar a merenda escolar em determinada aldeia, o custo com combustíveis, piloto, transporte muitas vezes é superior ao custo da merenda.

RP – O que mais preocupa o Poder Executivo com relação aos indígenas?

Ivanio – A falta de uma política indigenista que satisfaça os anseios e direitos do povo. Hoje a Funai que deveria ser o carro chefe de se buscar alternativas em algumas atividades parece confundir-se com sua atuação deixando os índios muitas vezes fora de suas ações. Insistimos na presença da Funai em parcerias não obtivemos vitorias nesse sentido. Para citar um exemplo da falta de compromisso dessa instituição realizou-se uma audiência publica por iniciativa do Ministério Publico de Jacareacanga visando coibir o uso e disseminação de bebidas alcoólicas entre os índios e apesar da presença de dois indigenistas, nada mais a Funai reportou-se a respeito e ficou acertado que a SEMAI, a Funai e, outros parceiros como Funasa planejariam um propósito de se estender palestras educativas e outros métodos de se coibir a disseminação de bebidas alcoolicas, e ainda até ações judiciais contra os vendedores. Os parceiros não apareceram.

RP – Justifique o motivo de somente no segundo ano de mandato do Raulien a Secretaria Indígena ser criada?

Ivanio – por um motivo simples. Sabe-se que a administração municipal é conduzida por um planejamento denominado de Plano Plurianual ou PPA que tem uma abrangência de quatro anos, e uma vigência a partir do segundo ano de atuação do prefeito, trocando em miúdos o Plano confeccionado pela Equipe de Raulien tem vigência até o primeiro ano do governo de quem o suceder. E no Governo anterior ao de Raulien Queiróz no PPA não estava contida ou contemplado a criação da Secretaria de Assuntos Indígenas, daí a criação da Secretaria a partir deste ano.

RP – Como é recebido o trabalho da Secretaria de Assuntos Indígenas junto ao público alvo: Os Indígenas?

Ivanio - A política partidária dividiu os índios e causou profundas e marcantes cicatrizes no relacionamento entre parentes, que de outro ângulo parecem irreparáveis. Veja bem, Raulien Queiroz irrompeu um paradigma que durou 12 anos em que os índios foram guindados a formarem um curral eleitoral com mimos e presentes fartos para as lideranças que tinham vínculos de trabalhos para nada fazerem e esse exagerado respeito que os índios foram obrigados a ter por seus “compadres e amigos” facilitaram a vida de uma minoria e expuseram a maioria realmente à miséria, já que absolutamente nada foi feito para a coletividade principalmente de apoio a economia que daria um ensaio de auto-sustentação. Ao se visitar a Terra Indígena será visto em muitas aldeias o descaso e desapego desses políticos com a causa dos índios; até melhorias sanitárias que recursos foram descentralizados, não foram aplicados em sua totalidade nesse propósito e afora outras atividades tão necessárias na economia tribal não foram executadas porque recursos para tal foram supostamente desviados segundo depoimentos de próprios indígenas e outra parte diluída na compra de mimos e presentes para os “cumpadis”. Em suma, nosso trabalho é recebido muito bem pelos indígenas, mas a sanha selvagem e viciada de alguns politiqueiros que impregnam o seio indígena insistem em querer desacreditar nosso trabalho. Não me reporto sob o foco de analisar os  políticos indígenas, esses sim são também vitimas desses malfeitores da política.


RP – E o Ivanio... quando vai embora de Jacareacanga, e quando retorna já que seu destino é ir e voltar?


Ivanio – Meu plano de vôo quem direciona é Deus. Como me reportei no inicio de nossa conversa. O que concorreu para  minha vinda pela terceira vez para cá, foi a revelação que um homem de Deus teve e me repassou como missão. Estou executando, se Deus permitir me assentarei na roda de pessoas de bem e mudaremos o rumo da historia desse povo que tanto necessita de pessoas serias ao seu redor.

Comentários:

Em primeiro lugar gostariamos de mais uma vez parabenizar o querido amigo Walter por esta materia e por tantas que vc tem feito dando enfase aos problemas que vem passando nosso querido povo Munduruku sabemos Walter que o que vc faz é d coração conhecemos seu amor pelos Munduruku desde de epoca em que era o Administrador da Funai, que por sinal um excelente profissional, num tempo em que ainda se via compromisso pela causa indigena.
Bem, com relaçao ao querido Ivanio parabens pelo trabalho pela iniciativa acreditamos que estamos tratando dos mesmos ideais, ou seja de tentar acordar os Munduruku desde sono de décadas e explicar a eles que o mundo mudou e esta mudando aceleradamente e que eles tem que sair desta situação apoiando e participando com interesse destas propostas que visem a geraçao de emprego e renda nas comunidades. Acabou a epoca do paternalismo as populações indigenas , em especial os Munduruku tem que começar a pensar em novas formas sustentaveis de sobrevivencia. Estes índios atraves das Ongs presentes na região, de suas associações, da Prefeitura e inclusive da propria Funai tem que juntos somar esforços no sentido de melhorar as condições de vida do povo, capacitar os jovens, gerar emprego utilizando o conhecimento tradicional e aperfeiçoando com técnicas modernas e refinadas o que se tem visando o mercado e principalmente o mercado internacional. Nós da missão Batista desde já nos colocamos como mais um parceiro para somar esforços no sentido de melhorar as condições de vida dos Munduruku.
Parabens Walter, Parabens Ivanio que o Senhor os abençoe e os proteja em suas empreitadas.
Pr. Harold e Marcia


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